O sábado à tarde era um dia diferente na minha infância.
Pela manhã um futebol com os amigos, entrando quase no horário do almoço. Terminava o jogo eu ia logo pra casa de vó porque já sabia que o almoço tava feito e aproveitava para comer, já era mais de uma hora da tarde.
Tinha compromisso pontualmente às duas horas da tarde.
Na Capela Santo Antônio a catequese para primeira comunhão. Em seguida, na lateral, era hora de preparar a mesa, a toalha, as velas e os bancos [formando um quadrado em torno do altarzin de Nossa Senhora das Graças] para a reunião do presídio mirim da Legião de Maria, sob presidência de Doralice. Terço, catena e ata, reunião formal de oração. Ao final, obrigatoriamente, era preciso apresentar uma obra de caridade concreta para ser registrada em ata. Quase sempre, nossas obras eram relacionados ao Abrigo de Idosos Luca Zorn.
Terminava a reunião, nos juntávamos e íamos para o abrigo, conversar com os idosos, rezar e brincar.
Na verdade eu gostava da brincadeira com os velhinhos. Não sabia, mas eram crianças como eu. Choravam. Sorriam. Se enfureciam e se trancafiavam em seus quartos. Eram crianças de cabelos brancos. Eu, apenas um menino. Na gruta de Nossa Senhora de Fátima do Abrigo, concluía a oração do terço da forma mais simples, sorrindo e querendo voltar.
O tempo passou e não sou mais criança. Lembro com carinho da Legião de Maria e percebo a experiência materna no Carisma que envolve minha vida no Álegrate de Maria. Ontem voltei lá naquele abrigo e procurei por idosos, como Heleno do Pandeiro, e soube que muitos vieram a falecer por razões da idade. É natural. Os idosos que estão na minha memória vital permanecem vivos.
Voltei a esse lugar pra acompanhar a visita do bispo @franssig e reencontrei minha história. Paginas que não esqueço e que me encorajam a sempre seguir em frente.
No abrigo sempre encontrei abrigo para meu riso e choro. Eu era criança. Apenas um menino.
Ver essa foto no Instagram
JOSÉ DIAS NETO